Déficit de atenção ou falta de foco?

No artigo de hoje nós vamos começar com uma notícia perturbadora: um número cada vez maior de adolescentes está fingindo ter déficit de atenção pra conseguir prescrições de estimulantes, ou seja, tomar remédio e aumentar a atenção através de drogas químicas. Quem diz isso é o autor Daniel Goleman no livro Foco especificamente no capítulo “O Empobrecimento da Atenção”.

O problema não está afetando apenas adolescentes não. Uma executiva mexicana diz que antigamente ela podia fazer apresentações de cinco minutos em vídeo mas hoje em dia ela está obrigada a diminuir a mensagem pra um minuto e meio no máximo, caso contrário ninguém presta atenção e começa a checar o celular.

Outro indicador de falta de atenção é quando a pessoa está lendo um livro interessante mas não consegue ler mais de duas páginas por vez pois dá uma vontade irresistível de ir conferir o email ou as mídias sociais. De certa maneira é um medo de perder o que pode estar acontecendo em outro canto. E também uma manifestação de que o aqui e agora não é muito interessante. Por causa disso que, para as pessoas que sentem problemas de foco, no nosso curso rápido FOCO nós passamos os exercícios pra praticar a atenção plena, ou seja estar plenamente presente.

Só de fazer isso o foco já aumenta. Em alguns momentos é necessário ter um tipo de mini-contrato. Esse é o caso do casal que já combina que quando está junto em casa, chegando depois do trabalho, é pra deixar o celular desligado e dentro da gaveta. Porque algo tão radical?

É que tanto o marido como a esposa se sentem frustrados quando o OUTRO pega o celular e deixa de estar presente. Ao mesmo tempo vem aquela vontade irresistível de conferir só por um segundinho. Nesses casos uma boa comunicação, com respeito e sinceridade pode ajudar muito a identificar que tipo de mini-contrato pode ser útil para manter a harmonia no casal.

Sobre tratamento, é óbvio que nunca devemos fazer automedicação. Vou ler aqui o trecho do livro que é muito preocupante: “Os pacientes estão dizendo a um médico conhecido meu que estão se ‘automedicando’ com drogas para transtorno de déficit de atenção ou narcolepsia para continuarem trabalhando. Um advogado disse que se não tomasse medicamentos, não conseguia trabalhar, não conseguia ler contratos.”

Isso é uma loucura: esse tipo de medicamento não é balinha, não é chiclete: eles podem trazer dependência, efeitos colaterais diversos, precisam de ter um acompanhamento profissional muito sério. Antigamente a prescrição desses medicamentos era apenas em casos graves, mas hoje acaba se transformando em um tipo de “melhorador de desempenho”, igual o Viagra usado de forma recreativa.

Déficit de atenção x falta de foco

Pra quem está se perguntando se tem déficit de atenção ou se é uma mera falta de foco, a dica especial que eu deixo no final do artigo de hoje é a seguinte: nós estamos hoje vivendo em uma época com uma quantidade de informação muito maior do que alguns anos atrás. Por isso é normal que fique mais difícil dar conta de tudo sem entender quais técnicas de foco usar.

O Herbert Simon, ganhador do prêmio Nobel, dizia que informação consome atenção. Informação consome atenção. Por isso agora que temos a riqueza de informação com a Internet, vivemos num mundo de pobreza de atenção. Como eu sempre repito natugood é sempre fundamental que você adquira boas informações e tenha supervisão e trabalhe juntamente com os profissionais licenciados da sua confiança.

O bom profissional saberá fazer o diagnóstico nos casos de doença e principalmente saberá lhe aconselhar quando não é necessário nenhum remédio. Lembre-se sempre do valor da boa comunicação, do autoconhecimento, da prática das técnicas de foco.